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Agronomia

A importância do engenheiro agrônomo para a sociedade

Por Engel Paschoal
O Dia do Engenheiro Agrônomo é 12 de outubro, mas sempre é tempo de mostrar a sua importância para todos nós. Assim, entrevistei o professor Marcos Roberto Furlan, com graduação, mestrado e doutorado em Agronomia (Horticultura) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Ele é professor assistente III da Universidade de Taubaté (Unitau), SP; professor e coordenador de Agronomia da Faculdade Integral Cantareira, na capital paulista; membro da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo, da Associação de Agricultura Orgânica e do Conselho de Certificação de Produtos Orgânicos da Apan Certificadora (criada em 2002 e inspirada na Agricultura Natural de Mokiti Okada, no Japão); e professor em curso de especialização na Unitau e nas Faculdades Oswaldo Cruz.

Segundo Furlan, "o engenheiro agrônomo é essencial por causa de sua relação com a produção de alimentos. Além de trabalhar com o desenvolvimento no combate às pragas, adubação e conservação do solo, para aumentar a produtividade de alimentos e de produtos para a exportação, nas últimas décadas o engenheiro agrônomo ganhou inúmeras atribuições. Surgiram frentes de trabalho, como a agricultura orgânica, biotecnologia, rastreabilidade de alimentos, licenciamento ambiental, manejo e recuperação de solos degradados e de bacias hidrográficas e recuperação de florestas. Ele também contribui para as discussões sobre aquecimento global, efeito estufa e produção de biodiesel".

150 mil no Brasil
Diz o professor que há cerca de 150 mil engenheiros agrônomos no Brasil, "sendo que aqui o profissional tem mais procura por se tratar de um país com ampla área agrícola. Os engenheiros agrônomos são capazes de planejar e dirigir serviços de engenharia rural, desde máquinas e implementos agrícolas, irrigação e drenagem, até construções rurais, geodésia, topografia, sensoriamento remoto e geoprocessamento; desenvolver métodos e práticas agrícolas visando explorar de modo sustentável a produção vegetal; montar programas para o manejo e controle de doenças, pragas e plantas daninhas; criar programas referentes à ciência do solo, nas áreas de gênese, morfologia, classificação, fertilidade, biologia, microbiologia, uso, manejo e conservação; implantar a produção e manejo de espécies florestais nativas e exóticas e viveiros florestais; desenvolver ações de caráter socioeconômico para promover a organização e o bem estar da população; organizar atividades de gestão ambiental; e resgatar o etnoconhecimento, integrando o saber normal e o acadêmico".

No Estado de São Paulo, há cerca de 20 faculdades de agronomia, mas a Integral Cantareira é a única com esse curso na Grande São Paulo. Ela existe desde 1999 e tem cerca de 200 alunos, muitos já trabalhando.

Segundo o professor, "a habilidade do engenheiro agrônomo é muito ampla, pois ele trabalha com a interação dos reinos animal, vegetal e mineral. Ele deve ter capacidade para fazer o planejamento, executar serviços relativos à produção e exploração dos recursos naturais. Deve também ter habilidade numérica, interesse pela natureza, ser hábil para transmitir ideias e ter raciocínio mecânico e espacial. Ele assessora sindicatos, fazendas, órgãos de pesquisa governamentais, indústrias de insumos e agricultores em cooperativas".

Principal responsável pelos alimentos
Quanto ao mercado de trabalho para o engenheiro agrônomo, "atualmente verifica-se aumento acentuado de oportunidades, principalmente em decorrência da expansão do agronegócio no País. Na área de produção, há muitas empresas que trabalham com engenheiros agrônomos, especialmente as que fabricam defensivos, adubos e insumos. O profissional também pode montar seu próprio negócio com clientes em produção de alimentos, projetos para parques e jardins e na área ambiental, recuperando áreas degradadas".

O professor considera "o engenheiro agrônomo o principal profissional responsável pelo elemento essencial à vida dos seres vivos: o alimento. Em todo o mundo, mesmo em pleno século XXI, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), há mais de 800 milhões de pessoas que se alimentam com quantidades inferiores às necessárias para sua sobrevivência. Acrescente-se ainda que a população mundial, segundo estimativas, será de 9 a 10 bilhões de habitantes, ou seja, mais de 4 bilhões de pessoas deverão ser alimentadas. Precisaremos dobrar a produção de certos produtos agrícolas e isto só será possível através do engenheiro agrônomo. O atendimento à procura mundial de alimentos está ligado diretamente à formação, capacitação e atuação desses profissionais".

*Com Lucila Cano

Este artigo somente poderá ser reproduzido ou publicado com autorização prévia do autor.

Engel Paschoal (1945-2010)

Jornalista especialista em temas relacionados ao 3º setor.

engelpaschoal [at] uol.com.br (E-mail: engelpaschoal [at] uol.com.br)

 

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